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Pancreatite em cães e gatos: sintomas, causas e ultrassom

Entenda o que causa pancreatite em cães e gatos, como reconhecer os sintomas e por que o ultrassom abdominal é essencial para confirmar o diagnóstico.

A pancreatite em cães e gatos é uma inflamação do pâncreas que pode variar de leve e autolimitada a grave e potencialmente fatal. O diagnóstico é feito pela combinação de exames de sangue específicos (lipase pancreática imunorreativa) e ultrassom abdominal, que avalia a região pancreática e identifica sinais de inflamação, necrose e complicações como derrame abdominal.

O que é pancreatite e por que acontece

O pâncreas produz enzimas digestivas que ficam inativas dentro do órgão e só se ativam no duodeno para digerir os alimentos. Na pancreatite, essas enzimas se ativam prematuramente dentro do próprio pâncreas e começam a digerir o órgão por dentro. A inflamação pode se limitar ao pâncreas ou se espalhar para tecidos adjacentes, causando peritonite e, nos casos mais graves, falência de múltiplos órgãos.

As causas mais comuns em cães incluem ingestão de alimentos gordurosos (o clássico estopim pós-churrasco), obesidade, hipotireoidismo não controlado, uso de certos medicamentos (corticoides, azatioprina) e predisposição racial. Em gatos, a pancreatite frequentemente é idiopática (sem causa identificável) e se associa com outras doenças inflamatórias do intestino e do fígado (a chamada tríade felina).

Raças de cães com maior predisposição à pancreatite

Algumas raças desenvolvem pancreatite com muito mais frequência do que a média:

  • Schnauzer Miniatura: predisposição genética confirmada à hipertrigliceridemia, o principal fator de risco
  • Yorkshire Terrier: alta incidência sem causa genética clara
  • Cocker Spaniel: predisposição a hiperlipidemia
  • Poodle e Dachshund: incidência elevada, especialmente em animais obesos

Sintomas de pancreatite em cães

Os sintomas em cães costumam ser mais evidentes do que em gatos:

  • Vômitos repetidos, geralmente em quantidade, com ou sem alimento
  • Dor abdominal intensa (o cão fica na posição de "reza", com o traseiro levantado e a cabeça baixa, tentando aliviar a pressão)
  • Diarreia que pode conter sangue
  • Inapetência total
  • Letargia e prostração
  • Abdômen tenso e doloroso ao toque
  • Febre

A pancreatite grave causa desidratação rápida e pode evoluir para choque. Todo cão com vômitos repetidos e dor abdominal precisa de avaliação urgente. Veja outros sinais que indicam necessidade de ultrassom no post sobre quando fazer ultrassom no cachorro.

Sintomas de pancreatite em gatos

Em gatos, os sintomas são inespecíficos e frequentemente passam despercebidos:

  • Inapetência discreta ou total (o sinal mais comum)
  • Letargia e menos interação com o ambiente
  • Perda de peso progressiva
  • Vômitos (menos frequentes do que em cães)
  • Temperatura abaixo do normal em casos graves

O gato pode ter pancreatite significativa sem nenhum sinal que chame a atenção do tutor. Por isso, a pancreatite felina é cronicamente subdiagnosticada.

Como o ultrassom abdominal diagnostica pancreatite em cães e gatos

O ultrassom abdominal é parte essencial da investigação de pancreatite, complementando os exames de sangue. Quando avalio a região pancreática no ultrassom, busco:

Aumento e irregularidade do pâncreas. Na pancreatite, o pâncreas fica aumentado, com bordas mal definidas e textura heterogênea. A inflamação afeta os tecidos ao redor, que ficam hiperecogênicos (mais brancos no ultrassom).

Líquido peripancreático. A inflamação causa extravasamento de líquido em torno do pâncreas e pode evoluir para derrame abdominal (ascite).

Pseudocistos pancreáticos. Em pancreatites graves ou crônicas, podem se formar coleções de fluido encapsuladas no interior ou ao redor do pâncreas. O ultrassom identifica esses pseudocistos e monitora se crescem ou regridem.

Abscesso pancreático. Complicação rara e grave da pancreatite necrotizante. Coleção com conteúdo espesso e irregular que exige drenagem.

Comprometimento biliar. O ducto biliar comum passa adjacente ao pâncreas. A inflamação pancreática pode comprimir o ducto e causar icterícia. Avalio o fígado e a vesícula biliar em todo caso de pancreatite.

Alças intestinais. A inflamação adjacente ao pâncreas afeta o intestino delgado. Íleo paralítico (parada do movimento intestinal) é uma complicação que o ultrassom identifica.

Limitações do ultrassom na pancreatite

O pâncreas é um órgão difícil de visualizar, especialmente em animais com muito gás intestinal ou obesidade. Em cães de grande porte, a visualização do pâncreas pode ser limitada mesmo com equipamento de boa qualidade.

Um ultrassom normal não descarta pancreatite. Casos leves podem não ter alteração detectável ao ultrassom. Por isso, a combinação com exames de sangue (especialmente a lipase pancreática canina ou felina, cPLI/fPLI) é essencial para o diagnóstico.

Pancreatite crônica em gatos e a tríade felina

Gatos desenvolvem com frequência pancreatite crônica de baixo grau, que não causa crises agudas mas contribui para perda de peso progressiva, inapetência flutuante e desenvolvimento de diabetes mellitus secundária. O ultrassom pode mostrar alterações sutis de textura no pâncreas de gatos com pancreatite crônica.

A associação entre pancreatite crônica, doença inflamatória intestinal e colangite (inflamação dos ductos biliares) em gatos é conhecida como tríade felina. Quando um gato tem qualquer uma dessas condições, investigar as outras faz parte da avaliação completa.

Ultrassom domiciliar para suspeita de pancreatite na zona sul do Rio de Janeiro

Para cães com dor abdominal e vômitos ou gatos com inapetência persistente, o ultrassom abdominal a domicílio permite avaliar o pâncreas sem o estresse do transporte. Em animais com dor, a agitação do trajeto piora o quadro.

Atendo na zona sul do Rio de Janeiro com equipamento portátil de alta resolução. O laudo completo fica pronto em até 48 horas. Veja mais sobre o ultrassom abdominal que realizo ou me chama no WhatsApp para agendar.

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